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Cooperativa para capacitação profissional dos bancários e ex bancários da zona da mata de Minas Gerais

Do prêmio de performance à demissão por cliques: a nova cara da gestão desumana

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O Itaú, maior banco da América Latina, anunciou recentemente a demissão de cerca de mil funcionários sob a justificativa de “baixa aderência ao home office”. A decisão veio logo depois de o banco registrar lucro bilionário — R$ 22,6 bilhões apenas no primeiro semestre de 2025. Entre os desligados, não estavam apenas trabalhadores com histórico de baixa entrega, mas também profissionais premiados por performance, gente que esperava promoção e recebeu em troca uma ligação de desligamento.

A contradição é gritante: como alguém pode ser celebrado por resultados num mês e dispensado por “cliques insuficientes” no outro?

O contexto oficial

De acordo com reportagens da CNN Brasil e da Gazeta do Povo, o banco monitorou durante seis meses a rotina de funcionários em home office. O controle incluía tempo ativo no computador, registros de sistemas acessados e até software que contabilizava cliques e movimentos de mouse.
Com base nesse monitoramento, a área de Recursos Humanos teria identificado “baixa produtividade” e realizado os cortes, classificados pelo próprio Itaú como uma “revisão criteriosa”, não como demissão em massa.

O Sindicato dos Bancários de São Paulo reagiu de imediato: chamou a medida de arbitrária, desumana e incoerente, já que não houve advertência prévia nem diálogo. Para a entidade, o banco simplesmente usou métricas questionáveis para justificar cortes frios em meio a lucros históricos.

Voz dos trabalhadores

Os relatos de ex-funcionários dão a dimensão real da desumanização. Em fóruns públicos, como o Reddit, surgiram depoimentos como este:

“Fui destaque do meu time no último ano. Meu chefe estava chateado na ligação, porque não foi decisão dele. O RH agiu top-down, friamente, baseado no tempo de atividade no notebook. Pessoas que receberam prêmio de performance e até promoção recentemente também foram cortadas.”

Outro funcionário resumiu o clima de vigilância:

“Só o fato de usarem software espião mostra que a relação de confiança é zero. Não me sinto confortável com um programa mapeando cada clique que dou para depois servir de munição em um eventual layoff.”

São vozes que escancaram um modelo de gestão que enxerga gente como número. Mais do que perder o emprego, essas pessoas sentiram que perderam a dignidade.

Produtividade ou obsessão por controle?

O caso levanta uma pergunta incômoda: o que significa produtividade?
Para o Itaú, ao que parece, é estar logado, clicando e movimentando o mouse por horas. Mas e quem entrega resultados em menos tempo? E quem equilibra rotina de trabalho com organização eficiente?
Reduzir produtividade a cliques é uma caricatura de eficiência. É trocar qualidade por quantidade, resultado por atividade aparente.

A incoerência fica maior quando se coloca na balança: um banco que bate recordes de lucro decide cortar gente premiada em nome de “aderência cultural” e “horas de tela”.

Os dois lados do debate

Esse é o ponto onde opiniões se dividem — e precisam se dividir.
• Defensores do banco vão dizer: empresa privada pode demitir quem quiser, produtividade precisa ser cobrada e quem não se adapta ao modelo perde o lugar.
• Críticos argumentam: trata-se de um ato desumano, incoerente e simbólico de uma gestão tóxica que coloca lucro acima de pessoas.

Ao expor as duas visões, o artigo abre espaço para o leitor se posicionar. A pergunta que fica é: qual lado faz mais sentido em pleno 2025?

O Itaú pode justificar como quiser, mas a imagem que fica é a de um banco bilionário que mede gente por cliques e descarta até os premiados. Não é apenas uma política de RH, é um sintoma de algo maior: a digitalização sem humanidade, a gestão que confunde eficiência com vigilância.

O futuro do trabalho não pode ser ditado por softwares espiões. Quem reduz pessoas a métricas mecânicas abre mão do mais importante: confiança, engajamento e dignidade.
E essa é a conta que não aparece no balanço, mas que todo banco deveria temer: a perda irreparável de humanidade.

E você, de que lado está?
• É justo medir produtividade por cliques?
• Ou estamos aceitando a normalização da desumanização corporativa?

Deixe sua opinião nos comentários. Esse debate não é só sobre o Itaú, é sobre o futuro de todos nós no mercado de trabalho.

Redigido por Jaqueline Bosa Marques @jaquelineestrategista

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Um comentário a “Do prêmio de performance à demissão por cliques: a nova cara da gestão desumana”

  1. Avatar de Giane Carvalho
    Giane Carvalho

    Parabéns pelo conteúdo!
    Fica a reflexão… Cada vez mais, o banco escancara que somos apenas números …